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pan
Na Índia, o tabaco é às vezes acrescentado à mistura num preparado conhecido por pan ou paan. O pan é usado na Ásia e é extremamente popular na Índia. Na sua forma tradicional, é uma mistura de noz de bétele triturada, tabaco e outros ingredientes que lhe melhoram o sabor. São colocados numa folha de pimenta de bétele untada com uma substância adstringente de origem vegetal. A folha é dobrada para embrulhar o recheio, e o pacotinho inteiro é então colocado na boca. Uma versão comum do pan é o pan masala, que tem os mesmos ingredientes, só que secos e embrulhados em saquinhos fáceis de transportar e que podem ser mastigados quando se desejar.
A pessoa leva bastante tempo (até cerca de vinte minutos) a mastigar o pan e, visto que saliva constantemente, precisa cuspir várias vezes. Existe até uma escarradeira nas casas onde o pan é popular, mas fora de casa, os consumidores cospem no chão ou nas paredes, razão das manchas castanhas que se vêem, nas ruas, nas escadas e corredores de muitos prédios da Índia.
A semente da palmeira de bétele, a noz de bétele, possui um sabor fresco e apimentado e é usualmente mastigada inteira, sendo às vezes lascada ou ralada, frequentemente misturada com temperos de acordo com a tradição local, tais como lima ou cal e especiarias, tudo isto embrulhado em folhas de bétele.
Os princípios ativos mais importantes da noz de bétele são a arecaina e a arecolina, alcalóides que são comparáveis à nicotina nos seus efeitos mentais como estimulante, brandamente intoxicante e inibidor de apetite.
Além do efeito estimulante do sistema nervoso central causando um relaxamento alegre ou sensação de euforia e uma agradável sensação na boca, alguns afirmam que possui qualidades afrodisíacas. Certas pessoas chegam mesmo a afirmar que o seu consumo melhora as capacidades de aprendizagem e de raciocínio, facilita a respiração, melhora a disposição e reduz a pressão cardíaca. Pode ainda ter usos medicinais, tal como a redução das cáries, a remoção de tênias e outros parasitas intestinais mediante a ingestão de umas poucas colheres de noz de bétele em pó, da própria noz ou tabletes contendo o extracto dos alcalóides.
No entanto, mastigar regularmente a noz de bétele é extremamente prejudicial para os dentes. A noz de bétele tinge a saliva da pessoa dum vermelho vivo e enegrece os dentes, provocando danos muitas vezes irreversíveis. Muitos mascadores habituais de bétele perdem os dentes muito jovens. Além disso, a Agência Internacional para a Pesquisa do Cancro (IARC - International Agency of Research on Cancer) classifica a noz de bétele como um cancerígeno conhecido. Dosagens altas podem causar diarreia e tonturas. Doses muito altas podem ser mortais. O uso a longo termo pode causar habituação. Em pesquisas efectuadas entre consumidores que tanto usaram o tabaco como a noz de bétele disseram que, entre os dois, acharam mais difícil vencer o hábito de mascar a noz.
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