| |
Jaisalmer
Ao por do sol, as paredes de arenito refletem um brilho que fez Jaisalmer ficar conhecida como a Cidade Dourada.Graças à sua localização estratégica no extremo oeste do Rajastão, Jaisalmer teve uma longa vida de batalhas e glórias. Quem primeiro se deixou seduzir pela região foram os invasores que, nos séculos 6 e 7, empurraram os habitantes originais, das tribos Meena e Bhil, para as colinas de Aravalli. Esses invasores estabeleceram reinos pequenos e passaram a chamar-se Rajputs ("filhos de príncipes"). Os Rajputs eram guerreiros de castas baixas que elaboraram genealogias para endossar seu poder e prestígio. Diziam-se descendentes do Sol e da Lua capazes de se pu-rificar por meio de complexos rituais de fogo. Lutavam continuamente entre si pelo controle desse ponto de passagem obrigatório das caravanas de camelos que, carregadas de valiosas mercadorias, pagavam-lhes altos impostos para atravessar o deserto a caminho da Rota da Seda. Os descendentes dos Rajputs vivem até hoje na região, identificados pelos turbantes coloridos e pelos longos bigodes com as pontas viradas para cima.
Tudo aqui respira a Idade Média. O forte, feito de arenito, resiste há séculos às invasões e ao tempo. Descrito pelos viajantes do passado como uma obra de anjos, fadas e demônios, o forte emerge no horizonte como uma miragem reluzente e continua a abrigar quase um quarto dos 40 mil habitantes da cidade de Jaisalmer. Por causa da proximidade com o Paquistão, é uma das poucas fortalezas da Índia ainda ocupadas. O comércio vigoroso traz uma vitalidade especial à cidadela. Vendedores estendem sobre qualquer superfície disponível os tecidos bordados. Os paredões são acortinados por tapetes que parecem prontos para nos transportar para o mundo das mil e uma noites. As ruelas estreitas e sinuosas de pedra ocre são condimentadas com o laranja, o amarelo, o vermelho, o rosa e o azul dos turbantes, saias e lenços esvoaçantes. Fumo de incensos e cheiro de comidas misturam-se e confundem-se. Crianças de turbantes dançam, cantam e encantam ao som de ektaras e dholaks (instrumentos de percussão). Falam de histórias de amor, de deuses e de batalhas lendárias. Aqui, viaja-se no tempo, nos espaços, nos aromas e na profusão de cores.
A pompa da majestade medieval está em todo lugar. Esta herança percebe-se nos magníficos palácios dos marajás e em templos que exibem alguns dos mais refinados trabalhos de alvenaria de Jaisalmer. Os templos jainistas (religião que tem mais de 2 milhões de adeptos na Índia) são os mais imponentes. Construídos entre os séculos 12 e 15, são importantes centros de aprendizado, e carregam até hoje uma aura de serenidade.
A partir do século 16, Jaisalmer entrou numa era de riqueza patrocinada pelas rotas da seda, do marfim, das especiarias, do índigo e do ópio. Era a rota que ligava a Índia a toda a Ásia Central. Mercadores, banqueiros e artesãos estabeleceram-se e construíram sumptuosas casas de arenito e madeira, os havelis. Extravagantes com três ou mais andares, delicados em seus entalhes rendilhados e exuberantes na beleza, os havelis são testemunha viva dessa época de glória.
O maior e o mais exótico é o Patwon ki Haveli, que tem cinco andares e sessenta balcões - uma obra que, estima-se, levou cinquenta anos para ser concluída. As ruas de Jaisalmer são uma profusão de cores, aromas e música.
|